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13/09/2011 | Desemprego volta a atingir a indústria, mostra o IBGE

Os resultados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES), divulgados pelo IBGE no último dia 11 – e referentes a junho – mostram bastante claramente para onde a política da atual equipe econômica está levando o país.

O emprego industrial, em junho, caiu -0,2% em relação a maio.
Já em março, comparado a fevereiro, o emprego na indústria havia estagnado (0%); em abril, havia caído (-0,1%); e em maio teve variação positiva insignificante (+0,1%).

Em junho, o emprego caiu tanto na indústria de transformação (-0,2%) quanto na extrativa (-0,4%).
 
Por setor, comparados junho de 2011 com junho de 2010 (o IBGE não fornece resultados por setor na comparação com o mês anterior), houve quase uma catástrofe - a expressão não é demasiado forte - no emprego da indústria de móveis (queda de -11,2%) e nas indústrias de papel e gráfica (-10,1%), secundadas pela indústria de calçados e artefatos de couro (-5,4%) e pela indústria de vestuário (-3,5%).
 
 
São Paulo
A presidente Dilma tem repetido que não haverá “soluções” recessivas no país, ou seja, não se submeterá outra vez o Brasil à humilhante e devastadora barbárie de jogar na rua milhões de desempregados e achatar o salário daqueles que conseguirem manter o emprego.
 
Porém, por mais que concordemos com o espírito manifestado pela nossa presidente, o problema é que desde janeiro a política da área econômica tem sido recessiva. Os números do IBGE são, clara e insofismavelmente, a consequência dessa política de freio ao crescimento, de constrição do mercado interno, vale dizer, de redução do emprego e dos salários – o fato dessa redução somente agora se apresentar com mais nitidez não apaga o fato de que isso não se deu por um movimento espontâneo, mas porque a política econômica levou a isso, depois de seis meses de aumentos de juros, superávits primários crescentes (e, por que não dizer, escandalosos, na situação atual), restrição do crédito e o câmbio atirado às feras, isto é, à mercê da invasão de dólares desvalorizados.
 
Como disse o coordenador do levantamento do IBGE, André Macedo, os setores mais afetados são os que mais produzem para, e mais refletem, o mercado interno, que foram mais atingidos pela política econômica recessiva e colaboracionista em relação à inundação de mercadorias estrangeiras, devido a um câmbio deformado para favorecê-la: “Esse movimento de redução no ritmo de contratações é fruto não só de políticas que acabam afetando as condições de crédito, encarecendo o crédito, mas também da maior penetração de produtos importados no mercado interno. Até mesmo aqueles segmentos que vinham mostrando crescimento, agora mostram uma expansão menos intensa do que em meses anteriores, como os setores de alimentos, máquinas e equipamentos, meios de transporte. Permanecem com resultados positivos, porém em magnitude menor do que em meses anteriores”.
 
O pior foram os resultados de São Paulo, onde se localizam empresas que realizam quase metade das vendas industriais do país, e, portanto, a maior parte dos empregos industriais.
 
Na indústria de São Paulo, o emprego caiu -1,5%, depois de ter caído -0,3% em abril e -0,8% em maio. Aliás, a evolução do emprego industrial em São Paulo é uma demonstração irretorquível (infelizmente, diante de algumas desastrosas ilusões, é necessário enfatizá-lo) do caráter recessivo da política dos srs. Mantega & Tombini:
 
·         dezembro: +2,9%;
·         janeiro: +2,0%;
·         fevereiro: +1,8%;
·         março: +0,4%;
·         abril: -0,3%;
·         maio: -0,8%;
·         junho: -1,5%;
 
Tem isso um nome: processo recessivo.
 
Câmbio
Fizemos essas comparações para demonstrar qual foi a causa do aumento do desemprego. Mas, e quanto aos setores mais atingidos?
 
Foram eles, precisamente, as já referidas indústrias de fabricação de produtos de madeira; fabricação de calçados e produtos de couro; fabricação de celulose, papel, produtos de papel, edição, impressão e reprodução gráfica; e confecção de roupas.
 
Além da comparação que já apresentamos, no primeiro semestre (comparado ao primeiro semestre do ano passado) o emprego no setor de papel e gráfica caiu -9%; no de madeira, -7,8%; no de vestuário, -3,1%; no de calçados e couro, -2%.
 
São os setores que o recente Plano Brasil Maior pretendeu compensar, estabelecendo uma desoneração de 100% sobre as contribuições para a Seguridade Social, em troca de 1,5% do faturamento para, parcialmente, substituir as fontes constitucionais de financiamento da Seguridade e da Previdência.
 
Evidentemente, não há desoneração que resolva o problema dessas empresas, se continua o cada vez maior garroteamento do mercado interno – do qual esses setores dependem, porque produzem para ele -, o câmbio manipulado para favorecer as importações e os juros asfixiantes.
 
Com centenas de bilhões de dólares invadindo o país atrás de juros escalafobéticos, o câmbio continuará a ser um patíbulo para as empresas desses setores, ao baratear artificialmente as importações. Principalmente se, como espera a presidente Dilma (ver sua entrevista à Carta Capital), os EUA fizerem mais uma superemissão de dólares e “aí eles vão inundar este nosso País. Não têm para onde ir e então eles virão para os mercados existentes (...) sabemos que o efeito disso é a entrada aqui, ela se dá por essa arbitragem dos juros (Carta Capital, 11/08/2011, grifo nosso).
 
Eles já inundaram este nosso país. O que pode haver é uma redobrada ou triplicada inundação. A presidente, no entanto, declarou que “não vamos deixar inundar o Brasil com produtos importados por meio de uma concorrência desleal e muitas vezes perversa”.
 
O que é perverso (e, sim, desleal) não é “a concorrência”, mas o câmbio, provocado por juros – como reconhece a presidente – mais do que perversos, que não permitem a concorrência das empresas nacionais. Trata-se de um dumping, de um tratamento privilegiado para as mercadorias fabricadas em outros países, uma rendição diante da guerra cambial dos EUA contra as outras economias do planeta.
 
Exatamente por essa razão, é impossível resolver o problema sem tocar nos juros e no câmbio. As declarações do sr. Mantega de estima e consideração pelo mercado interno, infelizmente, não são capazes de fazer o milagre de compensar sua ação contra o mercado interno. Ou, menos ainda, de substituir uma ação de priorizar o mercado interno – mais do que necessária no momento em que a presidente espera uma piora na crise externa. O resto, como dizia o poeta, são palavras.
 
CARLOS LOPES
 
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