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20/06/2012 | Prévia do BC para o PIB é menor que 2%

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na semana passada, registrou uma variação de 0,22% em abril em relação ao mês anterior e de 0,35% no acumulado de janeiro a abril. Nos últimos 12 meses encerrados em abril, o indicado apresentou um aumento de 1,55%. Todos os números, com ajustes sazonais. O IBC-Br é considerado uma prévia do BC para o Produto Interno Bruto (PIB) – incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia (serviços, indústria e agropecuária) -, e constatou mais uma vez o fraco desempenho da economia brasileira.
O BC também anunciou também as revisões promovidas nos dados de fevereiro e março, o que só reforça o fato de que atividade econômica não dá sinais de recuperação. O IBC-Br divulgado anteriormente havia apresentado um recuo de 0,38% em fevereiro e de 0,35% em março. Com a revisão, passou para uma alta de 0,55% e para uma queda de 0,61%, respectivamente.

Por outro, o resultado de 12 meses terminados em abril (+ 1,55%) situou-se abaixo do acumulado de 12 meses encerrados em março (+ 1,8%), o menor crescimento deste março de 2010.

Os números mostram que as medidas adotadas em 2011 para desacelerar a economia, em grande parte mantida este ano, jogaram o PIB na lona. Com a exceção da taxa Selic – que vem sofrendo cortes a conta gotas desde agosto -, as demais foram mantidas, como corte no Orçamento, diminuição do investimento (-1,8% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior e -2,1% em relação ao mesmo período do ano passado), queda da taxa de investimento (de 19,5% do PIB em 2010 para 19,3% em 2011 e para 18,7% no primeiro trimestre deste ano), aumento do superávit primário, congelamento dos salários do funcionalismo e dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo pelo segundo ano consecutivo e, principalmente, aumento da desnacionalização.

O que demonstra que a redução dos juros – que precisa ser acelerada- e um câmbio mais equilibrado, por si só, não são capazes de promover o crescimento, que passa pelo fortalecimento do mercado interno (mais emprego e mais salário), acabar com a desnacionalização desenfreada e aumento do investimento público. Por isso, se faz necessário que os investimentos do BNDES sejam direcionados às indústrias genuinamente nacionais (ver matéria nesta página) e que o governo lhes dê preferência em suas encomendas.

VALDO ALBUQUERQUE

 

 
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