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03/07/2014 | Sérgio Rubens: “Enfrentamos dois representantes do mesmo projeto”

Presidente Nacional do PPL na convenção que homologou Eduardo Campos e Marina candidatos

O ato político mais importante do último fim de semana – praticamente o limite para a definição das candidaturas para a eleição de outubro – foi a Convenção do PSB-Rede-PPL-PPS-PHS-PRP, que fundou a coligação "Unidos Pelo Brasil", lançando Eduardo Campos e Marina Silva para presidente e vice-presidente da República. Na página 3 desta edição, os leitores poderão ler a nossa cobertura desse evento histórico.

A originalidade dessa Convenção em relação a outros acontecimentos do mesmo fim de semana está na possibilidade, que abriu, de termos um novo processo de mudanças em nosso país.

Está claro - nem mais nem menos – que o país está cansado da repetição (com o interregno do que houve de melhor no governo Lula) da mesma coisa. Desde a derrubada da ditadura – mais exatamente, desde a desastrosa gestão Maílson da Nóbrega na Fazenda e do desgoverno Collor – que as forças retrógradas, os subservientes a um imperialismo decadente, neoliberais e degenerados da mesma cepa, tentam colocar o país em um leito de Procusto infimamente menor que o tamanho, os recursos, a inteligência e as potencialidades do Brasil. Tal como o bandido da mitologia grega, querem cortar as nossas pernas e nossa cabeça para que caibamos nos mesquinhos limites da dependência neo-colonial.

Porém, o país não suporta mais a continuação desse infame estado de coisas: esta é a razão pela qual espalha-se pelo país, tão tremendamente, a rejeição tanto a Dilma quanto a Aécio.

Da Convenção de sábado, pela importância das questões colocadas – e pelo sintético estilo que mais impacto ainda conferiu ao seu conteúdo – publicamos, nesta página, o discurso do presidente do Partido Pátria Livre (PPL), Sérgio Rubens de Araújo Torres.

Perto está o dia em que Teseu, o herói da Ática, nos livrará dos Procustos de arrabalde – e de seus donos, em outros países. Mas, nesse caso, Teseu somos todos nós – o povo brasileiro.

C.L.

SÉRGIO RUBENS DE ARAÚJO TORRES

Quero iniciar trazendo o abraço caloroso do Partido Pátria Livre a todos os companheiros presentes, aos representantes dos partidos políticos que integram essa frente, aos nossos candidatos Eduardo e Marina que com rara abnegação e competência vêm reacendendo a esperança do povo brasileiro em trilhar o caminho do desenvolvimento econômico e da justiça social.

Meus amigos e minhas amigas,

Os companheiros Eduardo Campos e Marina Silva têm afirmado que vamos governar o Brasil com o melhor do PT, do PSDB e de muitos outros partidos.

Nós estamos de acordo - em gênero, número e grau.

Mas para vencermos as eleições não podemos esquecer, e eles não esquecem, que vamos ter que derrotar o que existe de pior no PT e no PSDB. E o pior do PT e do PSDB, condensados nas figuras de Dilma e de Aécio, não reside hoje principalmente nas suas diferenças, mas naquilo que eles têm de comum: uma política econômica que dá tudo aos bancos e monopólios internacionais e não deixa o menor espaço para o crescimento do país.

Vamos ter claro, meus amigos, país que não cresce é como time que não ganha. País que não cresce não pode melhorar a vida do seu povo, não pode melhorar os serviços públicos nem a distribuição da renda. País que não cresce caminha na contra mão da história, porque a história dos homens, ao cabo e ao final, é a luta para melhorar suas condições de vida através do incremento da produção.

A política de juros altos, os maiores do mundo, câmbio favorável às importações, cortes no investimento público, desnacionalização da economia, privatização, desindustrialização e arrocho salarial pode ser muito boa para os monopólios internacionais e para quem vive de renda. Mas é uma desgraça para quem trabalha e produz.

Por causa dela, o governo FHC fez o crescimento do Brasil recuar para o patamar de 2% ao ano, e Dilma não vai chegar nem a isso com o seu pibinho.

Não adianta tentar esconder esse retumbante fracasso atrás dos avanços do governo Lula, porque os acertos do ex-presidente não se deveram à adesão a essa política econômica desnaturada, mas à resistência contra ela. Resistência parcial, diga-se de passagem, mas suficiente, naquele momento, para não entregar o ouro todo aos bandidos. E o povo já sentiu na própria carne a diferença entre os anos de Lula e os de Dilma, e sabe o que isso significa: menos empregos, menos salários, menos ensino público, menos mobilidade urbana, menos saúde pública, menos reforma agrária, aposentadorias mais esquálidas, menos proteção ambiental, menos investimentos, mais juros, mais remessa de lucros para o exterior e menos vergonha de prometer o que se sabe de antemão que não será cumprido.

Companheiros Eduardo Campos e Marina Silva,

Nessas eleições nós estamos enfrentado dois representantes de um mesmo projeto que prioriza os interesses dos monopólios externos em controlar áreas chave da economia brasileira para ampliar a transferência de recursos às suas matrizes. Esses monopólios mergulharam as economias dos Estados Unidos, Europa e Japão numa crise profunda, mas ainda continuam de pé, sequiosos por sugar a energia vital daqueles que por tibieza ou insuficiente patriotismo não souberem se defender.

A batalha eleitoral está apenas começando, mas temos plena convicção de que a situação está madura para que as suas candidaturas a presidente e vice, ancoradas numa trajetória de lutas corajosa e coerente, catalisem o sentimento de mudança que brota em cada esquina e conduzam o nosso povo a uma nova era.

Vamos à vitória!

Viva Eduardo!

Viva Marina!

Viva o povo brasileiro!

Fonte: Hora do Povo

 
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