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25/11/2015 | Eleição na Argentina: sapato alto de Scioli deixa Macri levar no 2º turno

Numa reviravolta em relação ao primeiro turno, o oposicionista Mauricio Macri, da coalizão Cambiemos, que reúne conservadores e o Partido Radical, bateu o candidato da oficialista Frente para a Vitória, Daniel Scioli, por 51,4% a 48,6% dos votos. A diferença, de menos de 3%, é muito menor do que havia sido ‘previsto’ por pesquisas e pela mídia, e o novo governo não terá maioria nem na Câmara nem no Senado. A participação dos eleitores foi de 80,9%, porcentagem similar ao do primeiro turno.

Na véspera do segundo turno, milhares de pessoas saíram às ruas espontaneamente, fizeram assembleias, defenderam a presença forte do Estado e tentaram empurrar Scioli, um candidato que não havia conseguido unir o peronismo nem se mostrava suficientemente convencido da necessidade de barrar os neoliberais e encabeçar a retomada do crescimento. Sob pressão do adversário e da mídia, repetia insistentemente que tinha ‘seu projeto próprio’ e, como forma de se diferenciar de Cristina Kirchner, dizia que os erros cometidos, que não dizia quais eram, deveriam ser ‘reconhecidos e superados’.

Em outubro, a eleição na província de Buenos Aires - da qual Scioli fora governador - e que sempre foi majoritariamente peronista, com 37% da população, havia dado a vitória à Cambiemos. O que, somado aos 21% de votação à presidência do peronista dissidente Sergio Massa, tornava o segundo turno um osso duro. Já Cristina Kirchner, ao encerrar seu mandato, conta com a maior aprovação de um presidente desde o fim da ditadura.

Macri é reacionário, mas não é um neófito: é ex-prefeito da cidade de Buenos Aires e ex-presidente do Boca Juniors. Como o estelionato eleitoral virou regra, a campanha da Cambiemos escondeu, o melhor que pôde, seu verdadeiro programa: retomar ‘relações carnais’ com Washington e nomear algum Levy argentino para arrochar geral e aliviar bancos, transnacionais e latifundiários. Fazer retroceder o máximo possível os avanços nos terrenos econômico, social e político registrados entre 2003 e 2015, período em que governaram Néstor e Cristina Kirchner.

O quadro de fundo desse resultado eleitoral é que houve nos últimos anos, sem dúvida, um esmorecimento do crescimento na Argentina, que exigia medidas mais radicais para reduzir o peso da desnacionalização da economia e promoção da substituição das importações; mais investimento e reindustrialização do país, para que não ficasse refém da exportação de commodities ou da chantagem dos fundos especulativos, os chamados abutres.

Mas o governo manteve a política de fortalecer o mercado interno, aumentar os salários, defender a soberania nacional e a integração regional, se opondo a qualquer acordo de livre comércio, principalmente com a União Europeia, repelindo as pressões para que fossem assinados. É bem verdade que Scioli, na reta final integrou-se mais com o governo e reivindicou a política dos Kirchner, mas não o suficiente para virar o jogo. Chegou bem perto, mas não o suficiente. Quem sabe não foi uma sorte?

O governo Macri toma posse no dia 10 de dezembro, mas seria bom que se lembrasse como foi que Fernando de La Rúa terminou seu governo: mais parecia a fuga dos americanos de Saigon. Ao que se diz, Macri pretende reduzir os impostos do agronegócio (soja), promover um tarifaço nos transportes, água e energia elétrica (gênio!), se acertar com os fundos abutres e sabotar o Mercosul arrumando uma charivari com a Venezuela para ir se esfregar na Alca o mais rápido que puder. Quem adivinhar o que ele quer fazer com os juros, os direitos sociais e as estatais ganha um doce. Em Miami.

Mas Macri não terá vida fácil. Depois da ditadura, do Menem e do de La Rúa, o povo argentino tomou um gostinho, aqueles bumbos peronistas não querem saber de se calar, e a coisa vai ficar animada. As mariposas parecem acreditar numa nova ‘teoria dos dominós’ na América do Sul, que começaria com o Macri. Já nem lembro se não fizeram as mesmas fantasias com outro milionário, esse, chileno e viúva do Pinochet, Piñera (quando este ganhou do insosso Eduardo Frei). Macri vai precisar de mucho pixuleco para enquadrar o congresso argentino: a Frente para Vitória conta com 98 deputados contra 85 da Cambiemos. No Senado a correlação é mais adversa ainda: 40 contra 16.

Fonte: Jornal Hora do Povo/ Suzana Santos & Antonio Pimenta

 

 
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