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09/12/2015 | “Ajuste” provoca maior tombo na produção industrial em outubro

De janeiro a outubro, produção industrial desabou 7,8%

Corte nos investimentos públicos e juros altos derrubaram produção da indústria, afirma IEDI

A Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) divulgada na quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra bem o estrago na indústria provocada pela política de arrasa-quarteirão de Dilma. Em outubro, a produção industrial recuou 0,7%, em relação a setembro, o quinto resultado negativo consecutivo. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o tombo foi de 11,2%, vigésima taxa negativa consecutiva nessa comparação e a mais acentuada desde abril de 2009 (-14,1%). No acumulado do ano, a produção industrial caiu 7,8%.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), “estes resultados são consequência de problemas estruturais da competitividade industrial, mas também da total erosão da demanda, relacionada à elevação dos juros e à contração do crédito, ao ajuste fiscal severo - com cortes do investimento público -, ao encolhimento da Petrobras e do complexo da construção pesada, e ao rápido crescimento do desemprego. Diante de um cenário tão adverso, com substantiva capacidade ociosa, 2015 se encerrará também com uma expressiva redução do investimento produtivo”.

Segundo o IBGE, “em outubro de 2015, o setor industrial prossegue com o quadro de menor ritmo produtivo, expresso não só no quinto resultado negativo consecutivo na comparação com o mês imediatamente anterior, mas também no predomínio de taxas negativas no mês, já que as quatro categorias econômicas e a maior parte das atividades pesquisadas reduziram a produção. Com o resultado de outubro, o total da indústria encontra-se 17,0% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013”.

TODAS AS CATEGORIAS EM QUEDA

Em um quadro de recessão, que já beira a depressão, a produção industrial teve queda em todas as categorias econômicas e em todas as bases de comparação. Na passagem de setembro para outubro, o setor de bens de capital (máquinas e equipamentos) caiu 1,9% e no acumulado de janeiro a outubro encolheu 24,5%; nesses mesmos períodos, o setor de bens intermediários (insumo, matéria-prima etc.) recuou 0,7% e 4,5%, respectivamente; a produção de bens de consumo diminuiu 0,6% e 9,5%; bens de consumo duráveis: -5,6% e -17,2%; bens de consumo semiduráveis e não duráveis: -0,6% e -7,2%.

“A queda expressiva de bens de capital tem relação direta com expectativas dos empresários que estão abaladas, assim como a dos consumidores. Toda a turbulência política e econômica tem influência nas expectativas e no investimento”, afirmou o economista do IBGE André Macedo.

Em outubro, 15 dos 24 ramos pesquisados pelo IBGE apresentaram resultados negativos. Os resultados mais gritantes se deram na produção de equipamento de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-9,4%), produtos de madeira (-4,4%), móveis (-3,8%), outros equipamentos de transporte (-3,4%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,0%).

No acumulado do ano, conforme o IBGE, “25 dos 26 ramos, 71 dos 79 grupos e 75,5% dos 805 produtos pesquisados tiveram queda na produção”. Dez setores apresentaram queda superior a 10%: equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-29,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-24,6%), impressão e reprodução de gravações (-17,0%), produtos têxteis (-13,7%), máquinas e equipamentos (-13,6%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-13,3%), móveis (-13,2%), produtos de metal (-11,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-11,0%) e confecção de artigos do vestuário e confecções (-10,1%). A única influência positiva ocorreu na indústria extrativa (6,3%).

“Vale lembrar ainda que não foi a primeira vez que esses ramos apresentam variações dessa magnitude. De fato, a maioria deles lidera o movimento de contração no acumulado do ano, contribuindo para o aprofundamento da crise da industrial. Se esta trajetória se mantiver, e nada indica o contrário, é muito provável que o presente ano se encerre com uma contração da ordem de 10% da indústria de transformação”, avaliou o (IEDI).

A combinação juros cavalares, corte de investimentos e desindustrialização agora cobra o seu preço, atingindo em cheio a produção industrial e com ela o emprego. De acordo com o IBGE, no terceiro trimestre a indústria teve retração de 1,3% ante o trimestre anterior, sendo que na indústria de transformação a queda foi de 3,1%. Na comparação com o terceiro trimestre de 2014, o recuo da produção industrial foi de 6,7%.

No último boletim Focus, a estimativa é de que este ano a produção industrial tenha uma contração de 7,60% e em 2016, queda de 2,40%. O governo, através do Banco Central, tem dito que seu objetivo é trazer a inflação para o centro da meta (4,5%), o que implica dizer que a política de juros altos vai continuar, prejudicando a atividade produtiva.

Produção industrial em queda acentuada e Produto Interno Bruto (PIB) negativo em 2015 e 2016. E o governo continua com sua política alucinada de transferir recursos públicos para os bancos, devendo este ano ultrapassar mais de meio trilhão com gastos com juros. Eis a verdadeira causa do “desequilíbrio fiscal”. Em vez de estancar essa sangria, Dilma reduziu direitos trabalhistas e previdenciários e quer recriar a CPMF para repassar mais dinheiro aos bancos. Em suma: economia devastada em função dos juros cavalares.

Fonte: Jornal Hora do Povo/Valdo Albuquerque

 

 

 
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