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02/09/2016 | PIB fecha 2º trimestre com queda de 0,6% e no ano despenca 4,6%

Desemprego, queda na renda e juro alto derrubam consumo das famílias, diz IBGE

De janeiro a junho, indústria recua -5,2%, serviços -3,5% e agropecuária -3,4%

No primeiro trimestre o recuo foi de -0,4%

Apesar da tentativa de certos setores em tentar dourar a pílula sobre um ou outro ponto, o fato é que os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na quarta-feira (31/08), sobre o Produto Interno Bruto (PIB) apontam que a recessão continua de vento em popa em todas as bases de comparação. No acumulado do ano (janeiro a junho), o PIB despencou 4,6%, em relação ao mesmo período do ano passado, com a indústria recuando 5,2%, serviços caindo 3,5% e a agropecuária com retração de 3,4%. Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre de 2016 alcançou R$ 1,530 trilhão.

Sob a ótica da demanda interna, nessa base de comparação, o investimento – Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – teve queda de 13,3%, o consumo das famílias caiu 5,6% e o consumo do governo recuou 1,9%.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) no segundo trimestre deste ano foi de 16,8% do PIB, o menor resultado para o segundo trimestre desde 2003, quando havia ficado em 16,4%, de acordo com a gerente de contas trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio. Já a taxa de poupança (POUP/PIB) ficou em 15,8% no segundo trimestre.

No acumulado em quatro trimestres, o PIB teve contração de 4,9%; no segundo trimestre, em relação o mesmo período do ano anterior, o PIB recuou 3,8%.

No segundo trimestre, ante o trimestre anterior, o PIB ficou negativo em 0,6%, o sexto resultado negativo consecutivo nesta base de comparação.Respectivamente, a agropecuária e serviços caíram 2,0% e 0,8%, enquanto a indústria e a FBCF tiveram ligeiros aumentos de 0,3% de 0,4%, respectivamente. O consumo das famílias caiu 0,7% e do governo recuou 0,5%.

Na indústria, houve variação negativa de 0,2% na construção civil. A extrativa mineral e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana cresceram, respectivamente, 0,7% e 1,1%. A indústria de transformação (0,0%) manteve-se estável no trimestre.

Conforme a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a variação positiva de 0,4% dos investimentos, assim como o resultado da indústria, “não podem ser considerados ‘crescimento’, mas podem estar relacionados ‘à expectativa de melhora’ da economia”.

Dois meses com Temer não fizeram a recessão recuar. O PIB no primeiro trimestre foi negativo em 0,4%.

No cálculo do PIB, também são considerados os números referentes ao setor externo. “Nesse segundo trimestre, o comércio exterior teve contribuição negativa nesta base de comparação [contra o trimestre anterior]. É explicado também porque, na variação cambial, a gente teve apreciação. No primeiro trimestre estava mais valorizado o câmbio. E quando apreciam, as exportações tendem a ficar menos competitivas e as importações tendem a aumentar”, afirmou Claudia Dionísio.

“Dentre os aspectos favoráveis desse desempenho está o crescimento de 0,3% da indústria geral, sob influência do segmento extrativo (+0,7%). Ainda que tenha sido o único macrossetor a crescer no período [segundo semestre em relação ao primeiro trimestre], é preciso observar que esse resultado positivo é muito pouco expressivo, especialmente depois de quase oito trimestres consecutivos de retração. É sinal, portanto, muito mais de uma estabilização do que de uma recuperação do setor industrial”, avaliou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

“A engrenagem do desemprego e da queda do rendimento real da população, como os dados da Pnad Contínua vem mostrando, está em curso e pode vir, inclusive, a voltar a prejudicar o desempenho industrial, especialmente nos seus segmentos produtores de bens de consumo não duráveis. O declínio de 0,7% do Consumo das Famílias no segundo trimestre do ano é um dos sintomas dessa engrenagem a encolher a demanda interna do país”, acrescentou o instituto.

Alguns economistas apontaram a “retomada da confiança” como um “termômetro” do início da saída da recessão. “A confiança é apenas uma variável, e talvez não a mais importante. A capacidade ociosa da indústria atualmente é muito grande, e vai ter que se ocupar toda antes de investir”, disse o professor Guilherme Mello, do Centro de Conjuntura da Unicamp, para quem “os dados, olhados com frieza, não indicam um cenário de verdadeira recuperação”. “O máximo que se pode extrair deles é que o ritmo de queda diminuiu e tende a uma estabilização. Daí a chamar isso de recuperação é extrapolar o que os dados mostram”.

Mello destacou que previsão de crescimento em 2017 é consequência do nível baixo atingido pela economia nos anos anteriores: “Esse crescimento previsto em torno de 1% é sobre uma base muito baixa. Em tese, quando se tem anos de recessão fica muito mais fácil crescer”.

Segundo análise do professor da Unicamp, estabelecer um teto para o aumento de despesas públicas “pela regra Temer-Meirelles vai dar contribuição real zero” para o crescimento do PIB.

Levantamento da agência Austin Rating, que comparou o PIB de 34 países no segundo trimestre, dentre os já divulgados, o Brasil ficou exatamente em último lugar. Em primeiro está a Índia, com crescimento de 7,1% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, seguido das Filipinas e China, com avanços de 7% e 6,7%, respectivamente.

Enfim, trocou-se de governo, mas a recessão continuou.

Fonte: Hora do Povo/Valdo Albuquerque

 

 

 
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